Paralisia do Plexo Braquial
Causas de Lesões
O plexo braquial pode ser lesionado de diversas maneiras, por trauma direto causado por arma de fogo, por exemplo, ou mais comumente por estiramento. O estiramento pode ocorrer na hora do parto ou mais freqüentemente após acidente com motocicleta.
As lesões na hora do parto são conhecidas como paralisia obstétrica e serão abordadas numa sessão à parte.
Fig. 01 - Típico acidente com motocicleta, onde o ombro se choca com o solo e a cabeça gira para o lado oposto, lesionando o plexo braquial. Fig. 02 - Note as escoriações no ombro deste paciente com lesão do plexo braquial, 48h após o acidente. O hematoma na região do pescoço indica uma lesão do plexo braquial.
Tipos de Lesões
Algumas lesões podem ocorrer na região do pescoço e outras dentro da coluna vertebral, na junção do plexo com a medula espinhal. Estas lesões são conhecidas como avulsão ou arrancamento.
Podemos entender uma lesão no plexo como uma colisão de automóvel, onde umas causam mais dano que outras, com diversas conseqüências no movimento.
Fig. 03 - Nesta figura representamos os nervos do plexo braquial após a sua saída da coluna vertebral.
Os nervos lesionados poderão estar localizados nesta região.
Fig. 04 - Junção dos nervos do plexo braquial com a medula espinhal. Quando a lesão ocorre neste nível, dizemos que houve um arrancamento do plexo braquial.
Consequências
Se o plexo sofrer um estiramento leve, sem rompimento nervoso, poderá ocorrer uma paralisia atingindo os movimentos da mão, do ombro, do cotovelo, ou até mesmo afetando todo o membro.
Mas em qualquer desses casos, deverá ocorrer uma recuperação espontânea no prazo de até três meses. Caso isto não ocorra, a lesão deverá ser encarada com maior preocupação.
Além da paralisia, existe uma perda natural da sensibilidade. Muitos pacientes com trauma grave, desenvolvem um quadro de dor fortíssima, geralmente na mão.
Neste caso, mesmo perdendo sensibilidade ao toque na mão, o paciente apresenta sensação de dor espontânea em forma de queimação. Este quadro é parecido com a dor do "membro fantasma", onde persiste dor numa perna que foi amputada.
Outra evidência de arrancamento de plexo que pode ocorrer é a redução no tamanho da pupila menor (menina dos olhos), indicando um prognóstico menos favorável.
Fig. 05 -Note a diferença de tamanho da menina dos olhos (pupila) entre um olho e outro. A redução do tamanho da pupila, no caso de arrancamento de plexo, não interfere na capacidade de visão do paciente.
Tratamentos - Cirurgia
Em qualquer caso é fundamental bastante compreensão por parte do paciente. As lesões do plexo tendem a recuperar bastante lentamente.
Se o paciente apresenta uma paralisia completa, com sintomas de alterações nos olhos, o caso é mais grave e deve ser operado no máximo entre o segundo e o sexto mês após o acidente, evitando seqüelas mais severas.
Tratamentos - O Que Fazer
O que fazer (procedimentos pré-operatórios) - Diagnosticada a lesão no plexo braquial, o primeiro passo é retirar a tipóia, mesmo contra indicação de fisioterapeutas ou parentes. O braço deve ficar livre, balançando livremente quando se caminha, permitindo com isso que a articulação do ombro mantenha-se lubrificada.
Embora exista a sensação de que o braço vai cair, isto obviamente não ocorrerá. A sensação do braço de estar fora do lugar é causada pela paralisação dos músculos que sustentam a articulação do ombro.
Na fase inicial, a fisioterapia é indicada três a quatro vezes ao dia, com movimentos em todas as articulações do membro afetado, para manter o que é conhecido por amplitudes articulares. Estes exercício podem ser feitos pelo próprio paciente ou por familiar.
Tratamentos com choques elétricos ou medicamentos e vitaminas não apresentam nenhum efeito positivo. Não existe nada que acelere o processo de recuperação.
Passados três meses do evento e o cotovelo ainda não dobra sozinho, sem ajuda do outro braço, o paciente é um sério candidato à cirurgia.
Se você fuma, aproveite o momento para reavaliar seu hábito: existe um prejuízo de 40% na recuperação em fumantes!
Tratamentos - Exames
Fora exames pré-operatórios de rotina, como exame de sangue por exemplo, existe um exame importante chamado tomomielografia, onde é injetado um líquido na espinha do paciente, na região lombar (como anestesia raqui). Em seguida, procede-se a um exame radiológico da região do pescoço, para ver se o liquido injetado (contraste) extravasa em direção ao braço, indicando se o plexo foi arrancado da medula espinhal.
Consideramos os exames de eletromiografia e ressonância magnética menos precisos por não apresentarem a qualidade de resolução da tomomielografia, podendo interferir na precisão do diagnóstico.
Mesmo com o arrancamento do plexo, em 90% dos casos existe pelo menos um nervo menos lesado que pode ser recuperado, justificando a preocupação com a precisão do exame.
Fig. 05 -Note a diferença de tamanho da menina dos olhos (pupila) entre um olho e outro. A redução do tamanho da pupila, no caso de arrancamento de plexo, não interfere na capacidade de visão do paciente.
Tratamentos - Procedimento Cirurgico
A cirurgia é feita na região do pescoço.
O primeiro passo é localizar precisamente a área das lesões, identificando os cotos dos nervos lesionados, onde são recompostas as ligações através de enxerto utilizando nervos surais, doados pela parte posterior da perna do próprio paciente.
O uso dos nervos surais não acarreta nenhum prejuízo, com exceção de uma ligeira dormência no lado de fora do pé, que desaparecerá quase totalmente com o passar dos meses.
Os nervos surais tem forma parecida com filetes de spagueti muito finos, e muitas vezes é necessário utilizar vários filetes para reconstruir um único nervo.
O enxerto com nervos de outro indivíduo não apresenta resultados positivos.
O termo técnico para designar uma emenda nervosa é coaptação. Há quem também se refira ao procedimento como anastomose nervosa. Ela é feita com o auxílio de microscópio. As suturas são feitas com fios mais finos que um fio de cabelo. O procedimento também pode ser executado utilizando-se cola biológica.
Fig. 07 -Região posterior da perna, indicando a localização doadora do nervo sural. Fig. 08 -Detalhe de nervo sural enxertado no plexo braquial.
Fig. 09 -Note os vários cabos de nervo sural agrupados para reconstruir um nervo de maior calibre. Fig. 10 -Compare o tamanho do fio com um fio de cabelo.
Tratamentos - Procedimento em Casos Graves
No caso de arrancamento do plexo, é utilizado um procedimento chamado de transferência nervosa onde nervos não lesionados são transferidos para suprir alguma função no braço acidentado.
Utilizamos nervos menos solicitados do outro braço, nervos da respiração, dos movimentos da língua etc.
Tratamos já há alguns anos pacientes que apresentavam o plexo totalmente arrancado da medula espinhal. Os resultados observados nesse grupo demonstraram claramente algum grau de recuperação, o que nos deixa otimista com o futuro desta técnica.
Recupearação - Prognóstico
Se a lesão é parcial e a mão move, mesmo havendo paralisia do ombro e do cotovelo, o prognóstico é muito bom: há 98% de chance de recuperação, mesmo que parcial, das funções perdidas.
Se a lesão for completa, o prognóstico é mais reservado, sobretudo na recuperação da função da mão.
Atualmente estamos desenvolvendo técnicas com transplantes musculares para dar algum movimento à mão lesada, e os resultados são bastante encorajadores.
Recupearação - Prazos de Recuperação
A regeneração nervosa é algo extremamente lento.
Dependendo do tipo de cirurgia, alguns sinais de recuperação são observados logo no primeiro ano, mas o resultado final só será alcançado quatro anos após a cirurgia e o maior progresso ocorre no decorrer do segundo ano.
Recupearação - Expectativa com Relação a Dores
dores tendem a desaparecer no período de dois anos.
Existem medicamentos que podem ajudar, mas se as dores são insuportáveis e não desaparecerem neste período é indicada uma cirurgia na junção do plexo braquial com a medula espinhal, conhecida com drezotomia. Esta cirurgia tem resultado positivo em 70% dos casos.